A Riot Games elevou o tom na guerra contra trapaceiros em Valorant. A desenvolvedora implementou uma nova atualização do sistema anti-cheat Vanguard. Agora, a ferramenta consegue bloquear firmwares usados em cheats baseados em DMA (Direct Memory Access). Essa tecnologia sofisticada permite acesso direto à memória do computador sem depender do processador.
A mudança ganhou repercussão após a própria Riot ironizar usuários desses dispositivos em uma publicação na rede X. Segundo a empresa, os equipamentos viraram “um novo peso de papel de US$ 6 mil”. Como resultado, a frase rapidamente repercutiu entre jogadores e comunidades de tecnologia.
De acordo com informações publicadas pelo site VideoCardz, o novo bloqueio afeta firmwares utilizados em placas DMA conectadas via SATA e NVMe. Atualmente, esses métodos são considerados avançados no universo das trapaças competitivas.
O que é DMA e por que isso preocupa a Riot
DMA é uma tecnologia legítima do hardware moderno. Em geral, ela permite que dispositivos tenham acesso direto à memória RAM do sistema para acelerar processos. No entanto, grupos especializados em cheats passaram a usar placas FPGA externas para explorar esse acesso. Dessa forma, conseguem ler dados do jogo sem serem detectados pelo sistema operacional.
Na prática, os trapaceiros utilizam um segundo computador conectado ao principal. Assim, manipulam informações do game fora do alcance tradicional dos anti-cheats. Por isso, a detecção de ferramentas como wallhack e aimbot se torna muito mais difícil.
A Riot já vinha alertando sobre esse tipo de ameaça desde 2023. Na época, a empresa classificou os cheats DMA como uma das técnicas “mais avançadas” enfrentadas pelo Vanguard.
Vanguard agora atua no nível do firmware
A nova ofensiva parece mirar diretamente no firmware dessas placas. Segundo o relatório, jogadores afetados receberam mensagens relacionadas à reinicialização do IOMMU. Esse recurso de segurança controla quais dispositivos podem acessar áreas da memória do sistema.
Além disso, a Riot já havia publicado anteriormente um comunicado técnico sobre vulnerabilidades em placas-mãe modernas. Segundo a empresa, o problema envolvia inicialização inadequada do IOMMU durante o boot do sistema. Em alguns casos, a companhia chegou a exigir atualizações de BIOS para manter o acesso ao jogo liberado.
Em um texto oficial publicado no fim de 2025, a Riot afirmou que certos dispositivos DMA seriam literalmente “fritos” pelas novas camadas de segurança do Vanguard.
Debate sobre privacidade e segurança continua
O Vanguard opera em nível de kernel, uma camada profunda do sistema operacional. Por causa disso, o software frequentemente gera discussões sobre privacidade e acesso ao computador do usuário. Especialistas em segurança já apontaram preocupações relacionadas ao alto nível de permissões concedidas ao programa.
Por outro lado, a Riot argumenta que o aumento da sofisticação dos cheats exige mecanismos mais agressivos. Segundo a empresa, isso é necessário para preservar a integridade competitiva do jogo. Enquanto isso, comunidades de jogadores relatam crescimento de trapaceiros em partidas ranqueadas de alto nível. Principalmente, aqueles que utilizam soluções externas difíceis de detectar.
A empresa ainda não divulgou detalhes técnicos completos sobre a atualização mais recente do Vanguard. Mesmo assim, o recado foi claro: dispositivos caros usados para burlar o sistema podem ter virado sucata da noite para o dia.